segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

POBREZA?

Portugal, tal como a generalidade dos países que estão a ser fustigados pela crise, está a entrar na última fase do ciclo recessivo, mas que sem dúvida é a mais longa e a mais dolorosa: estamos a falar de desemprego, de pobreza e de exclusão social.
As empresas estão nesta altura a fechar as contas de 2008 e o balanço entre o deve e o haver resulta quase invariavelmente num único ‘bottom line': quebra acentuada de lucros ou mesmo prejuízos. Aumentar proveitos, com o consumo em retracção, é tarefa difícil. O mais óbvio é cortar pelo lado dos custos, solução que na última semana levou 18 multinacionais a mandarem para casa 180 mil trabalhadores.
Obviamente que, em alturas de crise, todos querem ser acudidos pelo Estado: a banca que precisa de dinheiro para repor os capitais; proprietários que querem pagar menos pelas prestações da casa; contribuintes que querem benesses fiscais; fornecedores que querem que o Estado e as Câmaras lhes paguem as dívidas; sectores que querem pacotes de ajuda como o que foi desenhado para os automóveis; empresas que querem linhas de crédito mais baratas, etc. Enfim, toda uma sociedade de mãos estendidas à espera que o Estado a ajude atravessar à crise.
Se é verdade que o Estado tem um papel fundamental na dinamização da economia e protecção do tecido empresarial, não é menos verdade que o dinheiro é escasso e como tal é imprescindível que se definam as prioridades.
E a prioridade neste momento de agudizar da crise devem ser as pessoas. As pessoas que estão sem emprego. Nesta altura, mais do que nunca, é imperativo acudir a essas situações de emergência social que em alguns países estão a descambar para fenómenos de xenofobia. Veja-se o caso da refinaria de Lindsey da Total, em que 30 portugueses foram confrontados com protestos xenófobos dos trabalhadores no Nordeste de Inglaterra, que entraram em greve contra a contratação de mão-de-obra estrangeira.
O alerta foi deixado este fim-de-semana por Cavaco Silva, que afirmou que os recursos do Estado, que for possível disponibilizar, devem ser colocados para apoiar pessoas que podem vir a perder o emprego, que podem cair em situação de pobreza. Mas esta não deve ser uma causa só do Estado. Às empresas não devem ser exigidas obras de beneficência e assistência social, mas sim novos investimentos como forma de criar riqueza e de garantir postos de trabalho. Sobretudo aquelas que estão beneficiar das ajudas do Estado.


quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Taxa de desemprego será a maior dos últimos 23 anos

CATARINA ALMEIDA PEREIRAAMIN CHAAR - ARQUIVO DN

Mercado de trabalho. A taxa de desemprego pode já estar acima de 8%. Com as mais recentes previsões, o Governo assumiu para este ano o pior cenário desde 1986. Os economistas avisam que parte do desemprego veio para ficar. 2010 não será ainda o ano da recuperação do mercado de trabalho.


A taxa de desemprego deve já ter superado os 8% e vai atingir o valor anual mais alto dos últimos 23 anos. Este cenário, implícito nas últimas previsões macroeconómicas do Governo, pode ainda agravar-se: os economistas avisam que 2010 não será o ano da recuperação do mercado de trabalho. Ao assumir uma taxa de desemprego de 8,5% para 2009 - previsão idêntica, aliás, à da OCDE -, o Governo reconhece que o mercado de trabalho vai enfrentar uma das situações mais preocupantes das últimas décadas. A taxa prevista corresponde ao valor mais alto dos últimos 23 anos, segundo dados da Comissão Europeia, baseados nas definições do Eurostat. Associada a este cenário está a projecção de uma quebra de 0,7% no número de empregados, o que se traduz na perda de pelo menos 36 mil postos de trabalho. O Partido Socialista justificou esta semana a decisão de não alargar a duração do subsídio de desemprego argumentando que os números ainda não evidenciam uma degradação pronunciada do mercado. O cenário do Governo sugere, contudo, que o desemprego deverá já ter superado o valor historicamente elevado de 8%: para que 2008 tenha chegado ao fim com uma taxa anual de desemprego de 7,7% (tal como o Executivo agora prevê, depois de uma ligeira revisão em alta) o último trimestre do ano terá que ter registado uma subida do indicador para valores que podem oscilar entre os 8% e os 8,3%. O que decorre do facto do nível de desemprego ter sido mais baixo nos primeiros três trimestres (7,6, 7,3 e 7,7%), segundo os dados oficiais já divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. A corrida aos centros de emprego sugere, aliás, uma maior instabilidade no mercado de trabalho desde o final de 2008.Mais emprego em 2010?Os economistas consultados pelo DN saúdam o reconhecimento da gravidade da situação, mas denunciam um persistente optimismo quanto à duração dos problemas que a crise vai criar. Apesar da aproximação do cenário do Governo ao das principais instituições internacionais, este ponto - fundamental no desenho de políticas sociais - é ainda de divergência. O Executivo espera uma redução do desemprego já em 2010, para 8,2%, contrariamente ao que defende a Comissão Europeia (que aposta na manutenção do nível de desemprego) e a OCDE (que prevê uma subida para 8,9%)."O próximo ano não será melhor", declara Pedro Adão e Silva, sociólogo que estudou o mercado de trabalho português. O especialista, que é membro do grupo responsável pela redacção da moção de Sócrates, refere o habitual desfasamento entre o crescimento da economia e a evolução do mercado de trabalho. "Mesmo que a recuperação na Europa comece em 2010, só chegará a Portugal muito mais tarde". Posições idênticas são manifestadas por Bagão Félix e Mira Amaral.A forte concorrência da Ásia, a quebra nas exportações, o desajustamento entre a formação oferecida e as necessidades da economia podem dificultar o regresso dos desempregados ao mercado de trabalho. Ainda que as estatísticas não o denunciem. "Em recessão as pessoas têm noção que é difícil encontrar trabalho e auto-excluem-se", passando a ser considerados inactivos, lembra Nádia Simões, investigadora do ISCTE.

Questões:

1. O que é a taxa de desemprego? Qual a forma de cálculo?

2. Quais as consequências de uma taxa de desemprego elevada para a economia portuguesa?

3. De que forma pode condicionar as decisões e expectativas futuras?

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Desafios do crescimento económico


Em vez de defendermos um governo eficiente, tentamos excluí-lo das funções económicas, esquecendo seu importante papel.
Carlos Luque (*)

A crise do sistema financeiro internacional, que ameaça lançar o mundo numa profunda recessão, revela a importância do papel do governo no funcionamento da economia em diferentes dimensões, sobretudo na promoção de uma melhor operação dos mercados, da estabilidade e do crescimento económico.
Entretanto, após algumas décadas de excessivo crescimento dos gastos governamentais e da crise financeira que se abateu sobre inúmeros governos, a eficiência da ação pública começou a ser questionada.
Novamente vigoravam ideias de que as economias deveriam ser liberalizadas da ação governamental, de que, quanto menos governo, melhor e de que o setor privado por si só resolveria todos os problemas.
Na realidade, o que se notou foi uma grande confusão. Em vez de defendermos um governo eficiente, comprometido com o crescimento económico, acabamos por tentar excluir o governo das funções económicas, esquecendo seu importante papel. Era muito comum a ideia de que a privatização e a liberalização dos mercados seriam condições eficientes para que os países entrassem numa rota de crescimento económico.
Entretanto, a realidade mostrou que essa bandeira não tem sustentação. A crise financeira que estamos a atravessar -e não sabemos ainda as suas reais consequências sobre a economia mundial - realça um facto incontestado: faltou a presença do governo, mediante uma regulação mais ativa do mercado financeiro.
Um recente estudo promovido pela Comissão para o Crescimento económico, cujo objetivo primordial é entender o fenómeno do desenvolvimento com base na experiência dos países durante as décadas de 1950 a 1980, transmite informações relevantes para o entendimento do momento que vivemos, ainda que o seu objetivo seja totalmente distinto.
Em primeiro lugar, não estão em xeque as inegáveis e insubstituíveis virtudes que os mercados possuem quando funcionam de maneira mais livre, sem interferências externas, na alocação dos recursos.
Entretanto, não podemos esquecer que as ações tomadas pelos diversos agentes económicos se baseiam em perspectivas de retornos privados e, portanto, na ânsia de obter tais retornos, mercados como o financeiro podem gerar instabilidades. O papel da regulação, tarefa que deve ser executada por autoridades governamentais, não pode ser esquecido.

Por outro lado, apesar da virtude dos mercados, não se pode esquecer que eles não são garantia para a promoção de desenvolvimento económico ou a melhor distribuição de rendimento.
O relatório da comissão enfatiza o papel do governo no processo de desenvolvimento económico, mostrando inicialmente que o processo de desenvolvimento é um fenómeno complexo e difícil de ser entendido. "Não damos aos formuladores de políticas públicas uma receita ou uma estratégia de crescimento. Isso porque não existe uma única receita a seguir."
Mais adiante, afirma: "Não conhecemos as condições suficientes para o crescimento. Podemos caracterizar as economias bem-sucedidas do pós-guerra, mas não podemos apontar com segurança os fatores que selaram o seu êxito".
Certamente essas frases devem-nos deixar algo perplexos, especialmente quando ouvimos as certezas que dominam a maioria dos analistas económicos espalhados pelo mundo, em especial quando tratam de fornecer fórmulas prontas para o crescimento dos países.
A comissão reconhece que a dificuldade do entendimento sobre o fenómeno do crescimento dificulta a ação governamental na definição das estratégias a serem seguidas. A recomendação dada é a de que o governo "não deve ficar inerte, por temor de malograr; os governos devem testar diversos programas e devem ser rápidos em aprender quando dão errado. Se dão um passo errado, devem tentar um plano diferente, e não submergir na inação ou recuar".
Outra recomendação dada pela comissão relaciona-se com a tentativa de adoção de receitas prontas de outros países: "Os planos de ação maus de hoje em geral são os bons planos de ontem, mas aplicados por tempo demasiado".
Em suma, a comissão defende um governo crível, comprometido com o crescimento e eficiente. Um governo forte, capaz de realizar investimentos na área de educação, saúde e infra-estrutura a fim de elevar a rentabilidade dos investimentos privados.
É com uma ação eficiente do governo e do setor privado que certamente poderemos promover o desenvolvimento dos países.

(*) Carlos Luque é professor titular no Departamento de Economia da FEA-USP e presidente da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Custo de oportunidade

- Renúncia do alternativo
- Comparação constante de custos e benefícios

Exemplo: o curso superior:

Benefícios: - melhor emprego
- Enriquecimento intelectual
- Amizades

Custos: - não trabalhar
- Esforço
- Livros/propinas
- Alojamento/alimentação

Custo de oportunidade:
Rendimento do qual se prescinde enquanto se obtêm outra coisa.


CONSUMO

Definição:
1. É o acto de utilizar um bem ou um serviço com o objectivo de satisfazer uma necessidade.
2. É normalmente um acto económico, pois é através dele que satisfazemos as necessidades.
3. É um acto social, pois constitui um indicador do nível de bem-estar de uma população

Tipos de Consumo

1. Final: quando a utilização do bem permite a satisfação directa e imediata da necessidade.

2. Intermédio: quando se utiliza um bem na produção de outro bem.

3. Público: quando o consumo do bem ou do serviço é efectuado para satisfazer uma necessidade colectiva e é realizado pelo Estado.

4. Individual: quando o uso de um bem ou um serviço por uma pessoa impede que outras o utilizem. Por exemplo, ao consumir um pão, mais ninguém o poderá fazer.

5. Essencial: quando o consumo efectuado corresponde à satisfação de uma necessidade primária.

6. Supérfluo: quando o consumo efectuado corresponde à satisfação de uma necessidade terciária


NECESSIDADES

NECESSIDADE:
1. É o desejo de acabar ou prevenir uma insatisfação ou de aumentar uma satisfação.
2. São satisfeitas através da utilização de bens e de serviços.
3. O acto de utilização de bens e serviços para satisfazer necessidades, designa-se por consumo.

CARACTERÍSTICAS DAS NECESSIDADES:

MULTIPLICIDADE
As necessidades que sentimos são ilimitadas. Não sentimos apenas uma ou duas, são várias e diferentes.
Elas têm a capacidade de se renovar, não sendo suficiente satisfaze-las uma ou duas vezes, pois elas formam um processo contínuo.
Dois exemplos muito evidentes são a necessidade de beber e de comer.

SACIABILIDADE
À medida que satisfazemos uma determinada necessidade, a intensidade sentida vai diminuindo progressivamente até desaparecer.
Se, por exemplo, tivermos muita sede, à medida que bebemos água a intensidade da sede vai diminuindo até desaparecer completamente.

SUBSTITUIBILIDADE
Uma outra característica, é o facto de poderem ser substituídas por outras – princípio da substituição.
Encontramos múltiplos exemplos dessa situação. Se estiver com sede e não possa dispor de água, poderei substituí-la por um refrigerante. Se tiver muita vontade de ir ao teatro mas considerar os preços muito altos, poderei optar pelo cinema.
As necessidades variam no tempo e no espaço

CLASSIFICAÇÃO DAS NECESSIDADES
1. Quanto ao Custo
a. Económicas: Carro ou ir à discoteca
b. Não Económicas: Respirar ou bronzear-se ao Sol

2. Quanto à Importância:
a. Primárias: As destinadas exclusivamente à sobrevivência
b. Secundárias: todas as outras de que necessitamos
c. Terciárias: Normalmente supérfluas

NOTA: As secundárias e Terciárias dependem e variam de pessoa para pessoa

3. Quanto à Abrangência:
a. Individuais: Alimentação
b. Colectivas: Segurança, iluminação das ruas

CLASSIFICAÇÃO DOS BENS ECONÓMICOS

1. Quanto à Natureza:
a. Bens Materiais: pão, livro
b. Bens Imateriais: Médico, concerto de música

2. Quanto à função:
a. Bens de Consumo: Alimentação, vestuário
b. Bens de Produção: Aço, utensílios, tecido

3. Quanto à duração
a. Bens Duradouros: livro, CD, automóvel
b. Bens não Duradouros: pão, combustíveis

4. Quanto à relação entre eles:
a. Substituíveis: Quando consumimos óleo em vez de azeite.
b. Complementares: Quando um bem para desempenhar a sua função precisa de outro: pneu e jante.



sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

MATRIZ DE QUESTÕES

1. Quais foram as principais etapas do Comércio Internacional?
1ª Aparecimento de Fronteiras
Desde que se traçaram fronteiras entre as nações, criaram-se barreiras ao fluxo de mercadorias, que passa a ser fiscalizado e regulamentado segundo políticas comerciais próprias.
2ª O Mercantilismo
A primeira doutrina a definir uma política comercial para os Estados Nacionais foi o mercantilismo, que prevaleceu na Europa do início do século XVI ao final do XVIII. Essa doutrina defendia, como objectivo primordial da política nacional, o máximo fluxo de ouro e prata ao país, pois a sua retenção seria o meio mais adequado de acumular riqueza. Para isso, praticava-se uma política comercial que estimulasse as exportações e restringisse as importações, de modo a garantir o maior saldo favorável possível na balança comercial. Daí a tendência dos países mais adiantados a importar somente o essencial, numa tentativa de auto-suficiência, e a monopolizar certos fluxos de mercadorias para aumentar as exportações. Esse monopólio era mantido à força e subordinava totalmente os interesses das colónias aos da metrópole, que monopolizava o comércio exterior das suas dependências.
3ª A Revolução Industrial e o livre-cambismo
Com o início da Revolução Industrial, no fim do século XVIII, a Inglaterra, encontrava-se numa situação em que as suas mercadorias podiam competir vantajosamente com as demais: passou a opor ao mercantilismo o livre-cambismo.
Essa doutrina, que num contexto liberal mais amplo preconiza o mínimo de interferência governamental, nega o sentido económico às fronteiras nacionais e propõe ampla liberdade de comércio. Tal liberdade propiciaria a especialização internacional e facilitaria o desenvolvimento da concorrência, permitindo a ampliação dos mercados. Largamente difundido no século XIX, o livre-cambismo foi desde o início denunciado como conveniente apenas às nações industrializadas, pois na prática impedia que os outros países se industrializassem.
4ª O Proteccionismo
Em contraposição, formulou-se a doutrina do proteccionismo, preconizando barreiras alfandegárias contra a importação de mercadorias que competissem com as indústrias passíveis de serem desenvolvidas no país. O proteccionismo foi posto em prática em primeiro lugar pelos Estados Unidos e pela Alemanha, que disputavam os mercados de produtos industriais com a Grã-Bretanha, sendo seguidos, gradualmente, pela maioria dos países.
5ª A 1ª Guerra Mundial
A elevada disputa de mercados culminou com a Primeira Guerra Mundial, durante a qual se desorganizou o comércio internacional com o bloqueio das linhas industriais de numerosos países produtores de matérias-primas. Estes aproveitaram a oportunidade para se industrializar. A desorientação do comércio internacional persistiu durante o período que se seguiu ao conflito, predominando uma acentuada tendência ao controle governamental das actividades mercantis. As tentativas de restaurar as liberdades comerciais de antes da guerra fracassaram com a crise de 1929.
6ª A 2ª Guerra Mundial
A disseminação da indústria em diversos países da Europa e no Japão, constituindo ameaça ao monopólio mundial exercido pelas grandes potências, causou nova retracção das actividades comerciais. Nesse contexto, eclodiu a Segunda Guerra Mundial, de que resultou na nova redistribuição dos mercados entre os países vitoriosos.
7ª O GATT
Após a guerra, numa tentativa de desobstruir as vias de intercâmbio comercial, concluiu-se em Genebra o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).
Os países-membros negociam periodicamente acordos de redução mútua das barreiras tarifárias. Embora o efeito geral dessas reduções possa ser interpretado como uma volta ao livre-cambismo, na verdade a expansão do comércio internacional tem ocorrido sob cuidadoso controlo dos governos.
8ª Diferentes acordos comerciais
São numerosos os acordos internacionais de mercadorias, procurando conciliar os interesses dos países compradores e vendedores para evitar as bruscas oscilações de preços. Outro avanço no comércio internacional tem sido a constituição dos blocos de países integrando os seus mercados e, às vezes, as suas economias.

2. O que entende por Exportação?
Vendas, no exterior, de bens e serviços de um país. Resulta, como a importação, da divisão internacional do trabalho, pela qual os países tendem a especializar-se na produção dos bens para os quais têm maior disponibilidade de factores produtivos, garantindo um excedente exportável. Exportar mais do que importar era o mecanismo preconizado pelos mercantilistas, no século XVII, como a única maneira de atrair metais preciosos para um país e torná-lo rico e poderoso. Actualmente, considera-se ainda a exportação como um dos principais instrumentos de uma política de pleno emprego. As exportações são chamadas visíveis quando envolvem mercadorias, e invisíveis quando se trata de serviços (turismo, transportes, serviços bancários, juros, dividendos, seguros, fundos dos migrantes, heranças, donativos).

3. O que entende por Importação?
Entrada de mercadorias e serviços estrangeiros num país. Os serviços, cujo valor não figura na receita comercial, constituem as importações invisíveis. Para manter a balança comercial favorável ou ao menos equilibrada, os países submetem as importações a diversas formas de controlo. Os importadores podem recorrer ao mercado financeiro internacional para obter o crédito necessário ao pagamento de suas importações.

4. Defina Balança de Pagamentos.

5. Defina Balança Comercial.
Relação entre as exportações e as importações de um país. Quando o valor das exportações excede o das importações, o país apresenta um superávit e torna-se credor do estrangeiro; quando, ao contrário, as importações superam as exportações, o país está em dívida com o estrangeiro e apresenta um deficit na sua balança comercial.
6. Quais os factores que influenciam o saldo da Balança Comercial? Caracterize a Balança Comercial portuguesa.
Uma série de factores influi sobre a ocorrência de um deficit ou de um superávit na balança comercial. Entre os mais importantes, podemos citar: 1) a evolução dos preços das importações e das exportações de um país; 2) a evolução dos volumes importados e exportados. Um desequilíbrio entre os preços de exportação e de importação poderá provocar um deficit na balança comercial, o mesmo acontecendo com alterações nos volumes das importações e exportações. A balança comercial é também chamada balança visível e faz parte do balanço de pagamentos. Um país pode ter um superávit na balança comercial e um déficit no balanço de pagamentos; é o que ocorre geralmente com os países subdesenvolvidos.

7. Defina Vantagem Absoluta e Vantagem Comparativa.

8. Mostre, por via de um exemplo, a Teoria da Vantagem Comparativa.

9. O que é o Bilateralismo?
Prática de acordos especiais de comércio e de pagamentos assinados entre dois países. Consiste, em geral, na fixação de quotas de importação e taxas alfandegárias privilegiadas, não aplicadas ao comércio com os outros países. O Bilateralismo tornou-se uma prática comum no comércio internacional a partir da crise económica de 1929 e intensificou-se depois da Segunda Guerra Mundial, como recurso para recuperar as economias destruídas pelo conflito e criar mecanismos de controlo do comércio mundial. Ao mesmo tempo foi considerado prejudicial ao comércio internacional como um todo, surgindo assim a necessidade de um acordo global: isso foi conseguido por meio do GATT.

10. O que é o Multilateralismo?
Comércio praticado livremente entre mais de dois países, sem facilidades tarifárias diferentes para nenhum deles. Teoricamente, permite que cada um dos países envolvidos extraia os ganhos máximos do comércio exterior, considerando-se a sua especialização na divisão internacional do trabalho e a vantagem comparativa que os seus produtos ofereçam.

11. “A dependência força e mantém os países mais fracos subdesenvolvidos.” Comente tendo em conta as relações comerciais entre países.

Entende-se por dependência como sendo o sistema de relações económicas, financeiras, políticas e culturais que mantêm as nações subdesenvolvidas subordinadas aos grandes centros do mundo desenvolvido. A situação de dependência atinge especialmente os países de passado colonial recente, além dos que se iniciaram mais tarde no desenvolvimento industrial, estruturando-se como um sistema periférico, que se estende pelo chamado Terceiro Mundo (África, Ásia e América Latina). De um modo geral, as nações dependentes baseiam a sua economia no sector primário (agropecuária e extracção mineral), mas a dependência pode subsistir mesmo quando o país possui um sector secundário consideravelmente desenvolvido. Essa subordinação processa-se por via da tecnologia, de matérias-primas elaboradas, de equipamentos e de capitais para investimentos internos ou compras no exterior. Um dos aspectos principais da dependência tem sido justamente o endividamento constante e acelerado dos países dependentes, cujas divisas auferidas com as exportações acabam sendo insuficientes para cobrir os deficits da balança de pagamentos. A importação sistemática de tecnologia para a diversificação do sistema produtivo nacional contribui para gerar distorções sociais: a utilização de tecnologias sofisticadas liberta, nesses países, grandes contingentes de mão-de-obra, que não encontram trabalho no sector de serviços, como normalmente ocorre nos países desenvolvidos. Esses contingentes vão aumentar o número de desempregados.

12. O que entende por imperialismo?
Entende-se por imperialismo como sendo a política de dominação territorial e/ou económica de uma nação sobre outras. O conceito passou a ser difundido em finais do século XIX, com a expansão económica e a política da Grã-Bretanha. Na época, representava o desejo de cada uma das nações mais desenvolvidas de adquirir, administrar e explorar economicamente territórios menos avançados, com a finalidade principal de comércio. Actualmente, os termos “imperialismo económico” e “dependência” são normalmente usados para definir as relações económicas dos países desenvolvidos com os países pobres. Para o pensamento de orientação liberal, o imperialismo constitui uma política expansionista das grandes potências industriais que poderia ser evitada. Já para o pensamento de orientação marxista, o imperialismo é uma fase inevitável do desenvolvimento da economia capitalista, devido à própria natureza dessa economia.

13. Defina Subdesenvolvimento e indica as suas principais características.
Por Subdesenvolvimento entende-se a situação inferior do sistema económico-social de um país em relação aos padrões económicos das nações industrializadas.
Evidencia-se por indicadores como:
1. Exportação baseada em produtos primários,
2. Forte participação de produtos industrializados na pauta de importação,
3. Importação acentuada de tecnologia e capitais estrangeiros,
4. Persistência de elevadas taxas de desemprego,
5. Baixa produtividade,
6. Baixo rendimento per capita,
7. Mercado interno bastante limitado,
8. Baixo nível de poupança
O termo “subdesenvolvimento” surgiu na literatura económica e política a partir da Segunda Guerra Mundial, com a emergência política dos países colonizados da Ásia, África e América Latina, abalados por vigorosos movimentos sociais, muitos deles de carácter revolucionário.

14. Explique a importância da especialização no desenvolvimento das relações comerciais entre os países.
15. Defina Regulamentação, indicando as causas para a sua existência. Dê exemplos de organismos que desempenham essa função.

16. De que forma o GATT e posteriormente a OMC, favorecem o comércio internacional?

17. “A dependência tecnológica e industrial dos países pobres é sem dúvida do interesse dos países ricos”. Comente.